É fato público e notório a antipatia da Veja por Caetano, Chico e outros nomes da MPB. Esquerdistas são as palavras mais singelas. Além da perseguição pura e simples, baniu faz tempo qualquer menção positiva ao trabalho desses grandes artistas. Até aí nenhuma novidade. Carmem Miranda padeceu da mesma coisa, assim como Tom Jobim, com o provincianismo e a pequenez de jornalistas que se acham deuses. Paulo Coelho há anos é execrado no Brasil, mesmo sendo considerado um grande escritor lá fora.
Agora vejam só quem é a capa da Veja Rio desta semana: Thor, filho de Eike Batista, o homem mais rico do Brasil. E o que ele tem a acrescentar ? Nada. A reportagem é de uma nulidade só. Acreditem, a reportagem inteira fala sobre as noitadas de Thor, a musculaçao de Thor, os livros que Thor não leu e nem lerá, a faculdade trancada, o supletivo que teve que fazer. Se alguém me contasse eu não acreditaria. Se ainda fosse na Caras...
Agora imagine falar mal do Caetano, do Gil, do Chico e dar uma capa para um rapaz que se orgulha de nunca ter lido um livro na vida.
É Roberto Civita, eu teria vergonha.
sábado, 28 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Lacraia
Foi de repente, como Michael, Heath Ledger e Cassia Eller. E doloroso como são as surpresas. A única diferença Lacraia, é que para ti, reservaram o anonimato, o rodapé dos jornais. Não tinhas o mesmo pedigree, o savoir faire. Viestes do subúrbio, cantavas funk e não tinha um padrão de beleza.
Contudo, tua presença foi tão revolucionária como o foi Benedita da Silva e seu "negra, mulher e favelada." Acresce que eras homossexual assumido, que coragem, logo aonde, no mundo machista e preconceituoso do funk e suas mulheres frutas. E tão corajoso foi também teu companheiro Serginho que durante dez anos ficou ao teu lado, levando alegria aos confins da periferia.
Não reservaram para ti o segundo caderno, nem o horário nobre, muito menos o São João Batista. Diria O Rappa que todo camburão tem um pouco de navio negreiro. Não só o camburão, mas os hospitais públicos, as lojas populares, a sarjeta e o Caju.
Ficará tua alegria, tua força e tua irreverência. Engraçado que quando fiquei sabendo, estava ouvindo pela primeira vez o novo single da Adele, que é lindo, mas tristíssimo, quase uma elegia.
Poderia ser Barber, Mozart ou How Can I Go On, mas fico mesmo com Someone like you.
Um beijo e fique em paz
Contudo, tua presença foi tão revolucionária como o foi Benedita da Silva e seu "negra, mulher e favelada." Acresce que eras homossexual assumido, que coragem, logo aonde, no mundo machista e preconceituoso do funk e suas mulheres frutas. E tão corajoso foi também teu companheiro Serginho que durante dez anos ficou ao teu lado, levando alegria aos confins da periferia.
Não reservaram para ti o segundo caderno, nem o horário nobre, muito menos o São João Batista. Diria O Rappa que todo camburão tem um pouco de navio negreiro. Não só o camburão, mas os hospitais públicos, as lojas populares, a sarjeta e o Caju.
Ficará tua alegria, tua força e tua irreverência. Engraçado que quando fiquei sabendo, estava ouvindo pela primeira vez o novo single da Adele, que é lindo, mas tristíssimo, quase uma elegia.
Poderia ser Barber, Mozart ou How Can I Go On, mas fico mesmo com Someone like you.
Um beijo e fique em paz
terça-feira, 10 de maio de 2011
O encontro
- Já seguiu alguém na rua Rodrigo ? -, perguntou meu amigo Jaime, como se isso fosse um procedimento comum.
- Pra mim isso é coisa de filme - respondi, achando graça de uma confissão tão particular.
Então você não conhece o que eu estou sentindo.
Meu amigo Jaime estava apaixonado como tantas outras vezes ao longo da nossa amizade. Mas confesso que dessa vez era diferente. Ele não estava tomado de um furor arrebatador tampouco permitia desatinos adolescentes. Tinha um olhar distante mas de uma calma madura de quem finalmente encontrara algo que há muito tempo precisava.
- Acho que pela primeira vez estou sendo amando de verdade. Sim, porque das outras vezes era eu que chorava, se entregava e dedicava. - os olhos dele brilhavam.
- Fico feliz por você. E quem é a felizarda ?
- Você não conhece, o nome dela é Adriana e tem 19 anos.
- Mas tão nova, você tem quase o dobro da idade dela.
- Pra você ver, logo eu que nunca fui de menininhas. Finalmente eu sou o primeiro amor de alguém.
- E isso é importante pra você ?
- Demais. Você não sabe o quanto é triste gostar de aguém, envolver-se e tão pouco tempo depois ouvir palavras como ' acho que ainda gosto do meu ex', ' ele foi o grande amor da minha vida', ' não posso jogar essa foto fora porque ele foi muito importante pra mim', ' ele foi meu primeiro homem'. Eu estava sempre em segundo ou terceiro plano. Tinha sempre uma sombra acompanhando meus relacionamentos ou eu nunca era bom o suficiente. Finalmente encontrei o amor da minha vida.
- Meu amigo Jaime isso é tão raro. A maioria das pessoas morre sem ter conhecido isso.
- Então você entende porque eu estou tão feliz.
Todo mundo deveria um dia amar assim.
" Eu nunca fui paixão de ninguém e sempre a tola apaixonada."
Fátima Guedes.
- Pra mim isso é coisa de filme - respondi, achando graça de uma confissão tão particular.
Então você não conhece o que eu estou sentindo.
Meu amigo Jaime estava apaixonado como tantas outras vezes ao longo da nossa amizade. Mas confesso que dessa vez era diferente. Ele não estava tomado de um furor arrebatador tampouco permitia desatinos adolescentes. Tinha um olhar distante mas de uma calma madura de quem finalmente encontrara algo que há muito tempo precisava.
- Acho que pela primeira vez estou sendo amando de verdade. Sim, porque das outras vezes era eu que chorava, se entregava e dedicava. - os olhos dele brilhavam.
- Fico feliz por você. E quem é a felizarda ?
- Você não conhece, o nome dela é Adriana e tem 19 anos.
- Mas tão nova, você tem quase o dobro da idade dela.
- Pra você ver, logo eu que nunca fui de menininhas. Finalmente eu sou o primeiro amor de alguém.
- E isso é importante pra você ?
- Demais. Você não sabe o quanto é triste gostar de aguém, envolver-se e tão pouco tempo depois ouvir palavras como ' acho que ainda gosto do meu ex', ' ele foi o grande amor da minha vida', ' não posso jogar essa foto fora porque ele foi muito importante pra mim', ' ele foi meu primeiro homem'. Eu estava sempre em segundo ou terceiro plano. Tinha sempre uma sombra acompanhando meus relacionamentos ou eu nunca era bom o suficiente. Finalmente encontrei o amor da minha vida.
- Meu amigo Jaime isso é tão raro. A maioria das pessoas morre sem ter conhecido isso.
- Então você entende porque eu estou tão feliz.
Todo mundo deveria um dia amar assim.
" Eu nunca fui paixão de ninguém e sempre a tola apaixonada."
Fátima Guedes.
domingo, 8 de maio de 2011
Adele
Acontece quase sempre da mesma forma. Estamos numa festa ou em uma roda de amigos e alguém comenta, fazendo-nos parecer ovnis :
- Você não conhece ? É um must, tá todo mundo ouvindo.
Quase sempre você já ouviu falar, por alto, um burburinho aqui e outro ali, mas tem sempre alguma coisa que passa desapercebida.
No meu caso foi na casa do Fabiano, pela voz do Wendel:
- Você precisa ouvir. Na Inglaterra ela já é o maior sucesso desde os Beatles. E na Billboard ela está há três meses em primeiro lugar, derrubando recordes de Beatles, Rolling Stones, Elvis, Madonna...
Então se você é fã de alguns desse ícones, fica logo se perguntado se não seria um exagero, que absurdo! Será isso tudo mesmo? Quem é esse som novo para justificar tamanha euforia?
Curiosos que somos, o Youtube está aí para isso, não nos resta outra atitude a não ser verificar se é compreensível, pelos menos no nosso ponto de vista tamanho alvoroço.
Na maioria das vezes é alarme falso, alguma música bonitinha, mas descartável que daqui há vinte anos teremos vergonha de falar para os nosso filhos que ouvíamos aquilo.
Mas às vezes, algo mágico acontece. Alguma coisa sensacional mexe com a nossa alma e a sensação deve ser a mesma que o descobridor de pérolas como Jacksons 5, Ray Charles, Elvis, Aretha Franklyn entre tantos outros deve ter sentido.
Então você tem a sensaçao de estar fazendo parte da história, ainda que anonimamente, como o fizeram seus pais e avós, quando falam, com os olhos brilhando, de quando ouviram pela primeira vez Is This Love, I Got a Woman, Hurricane, I can't get no...
A última vez que senti isso foi com Bad Romance e You know I'm no good. E então eu fico imaginando se eu estivesse falecido há dez anos.
A longevidade é uma dádiva.
- Você não conhece ? É um must, tá todo mundo ouvindo.
Quase sempre você já ouviu falar, por alto, um burburinho aqui e outro ali, mas tem sempre alguma coisa que passa desapercebida.
No meu caso foi na casa do Fabiano, pela voz do Wendel:
- Você precisa ouvir. Na Inglaterra ela já é o maior sucesso desde os Beatles. E na Billboard ela está há três meses em primeiro lugar, derrubando recordes de Beatles, Rolling Stones, Elvis, Madonna...
Então se você é fã de alguns desse ícones, fica logo se perguntado se não seria um exagero, que absurdo! Será isso tudo mesmo? Quem é esse som novo para justificar tamanha euforia?
Curiosos que somos, o Youtube está aí para isso, não nos resta outra atitude a não ser verificar se é compreensível, pelos menos no nosso ponto de vista tamanho alvoroço.
Na maioria das vezes é alarme falso, alguma música bonitinha, mas descartável que daqui há vinte anos teremos vergonha de falar para os nosso filhos que ouvíamos aquilo.
Mas às vezes, algo mágico acontece. Alguma coisa sensacional mexe com a nossa alma e a sensação deve ser a mesma que o descobridor de pérolas como Jacksons 5, Ray Charles, Elvis, Aretha Franklyn entre tantos outros deve ter sentido.
Então você tem a sensaçao de estar fazendo parte da história, ainda que anonimamente, como o fizeram seus pais e avós, quando falam, com os olhos brilhando, de quando ouviram pela primeira vez Is This Love, I Got a Woman, Hurricane, I can't get no...
A última vez que senti isso foi com Bad Romance e You know I'm no good. E então eu fico imaginando se eu estivesse falecido há dez anos.
A longevidade é uma dádiva.
domingo, 1 de maio de 2011
Celular
Eu já estava quase dormindo quando o Bruno chegou, santitante de felicidade. Por um momento eu lembrei do Sméagol de O Senhor dos Anéis quando fiscava um peixe. Obviamente, eu quis saber o motivo de tanta alegria.
- Olha o que eu acabei de achar-ele disse.
Era um celular touch screen E muito bonito por sinal. Nem me dei ao trabalho de conferir as funcionalidades.
- É claro que você vai devolver, né ?-falei.
O Carlinhos que estava do nosso lado interrompeu :
- Tira o chip logo antes que o dono bloqueie.
Inquietei-me na cadeira com medo que ele fosse persuadido pelo lado negro da força :
- Carlinhos não incentive o Bruno a cometer um ilícito. Bem sabemos que o certo é devolver o celular ao dono.
- Achado não é roubado. Quando você acha dinheiro você devolve ?-ele respondeu.
- É totalmente diferente. Por acaso dinheiro tem carimbo ? Celular o dono liga procurando.
E ficamos durante cinco minutos-eu e Carlinhos-tentando convencer o Bruno dos nossos pontos de vista. Foi quando o celular tocou Tomei a liberdade de atender e o Bruno não se opõs :
- Alô? Desculpe, é que esse celular é meu. Eu o perdi agora há pouco, você poderia...
- Fique calmo meu amigo, nós vamos te devolver. Você está aonde ? Anota o nosso endereço aí.
- Dez minutos depois chega um rapazinho de seus treze anos, rosto tenso e, ao mesmo tempo aliviado por ter recuperado o celular.
- Obrigado, muito obrigado.
- Agradeça ao meu amigo Bruno. Foi ele quem achou.
O Bruno abriu um sorriso :
- Só devolvi porque você é flamenguista. Se tu fosse vascaíno, não tinha nem chance.( O papel de parede do celular era do flamengo).
Depois que o garoto foi embora eu falei para o Bruno :
- Ah, Brunão eu fiquei tão emocionado. Tu viu como menino ficou feliz. Estou orgulhoso de você.
- Foi melhor mesmo, ele respondeu. Tu reparou que o vidro estava meio truncado...
Não basta ser honesto. Às vezes é preciso convencer os nossos amigos da honestidade deles.
- Olha o que eu acabei de achar-ele disse.
Era um celular touch screen E muito bonito por sinal. Nem me dei ao trabalho de conferir as funcionalidades.
- É claro que você vai devolver, né ?-falei.
O Carlinhos que estava do nosso lado interrompeu :
- Tira o chip logo antes que o dono bloqueie.
Inquietei-me na cadeira com medo que ele fosse persuadido pelo lado negro da força :
- Carlinhos não incentive o Bruno a cometer um ilícito. Bem sabemos que o certo é devolver o celular ao dono.
- Achado não é roubado. Quando você acha dinheiro você devolve ?-ele respondeu.
- É totalmente diferente. Por acaso dinheiro tem carimbo ? Celular o dono liga procurando.
E ficamos durante cinco minutos-eu e Carlinhos-tentando convencer o Bruno dos nossos pontos de vista. Foi quando o celular tocou Tomei a liberdade de atender e o Bruno não se opõs :
- Alô? Desculpe, é que esse celular é meu. Eu o perdi agora há pouco, você poderia...
- Fique calmo meu amigo, nós vamos te devolver. Você está aonde ? Anota o nosso endereço aí.
- Dez minutos depois chega um rapazinho de seus treze anos, rosto tenso e, ao mesmo tempo aliviado por ter recuperado o celular.
- Obrigado, muito obrigado.
- Agradeça ao meu amigo Bruno. Foi ele quem achou.
O Bruno abriu um sorriso :
- Só devolvi porque você é flamenguista. Se tu fosse vascaíno, não tinha nem chance.( O papel de parede do celular era do flamengo).
Depois que o garoto foi embora eu falei para o Bruno :
- Ah, Brunão eu fiquei tão emocionado. Tu viu como menino ficou feliz. Estou orgulhoso de você.
- Foi melhor mesmo, ele respondeu. Tu reparou que o vidro estava meio truncado...
Não basta ser honesto. Às vezes é preciso convencer os nossos amigos da honestidade deles.
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