quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Dez anos sem Jorge Amado

Uma pena. Um comentariozinho aqui, uma resenha acolá, notas pequenas, miúdas explicam o país sem memória. Parece que foi ontem né Zé, se me permite a intimidade. Com você aprendi a amar a Bahia, mesmo sem conhecê-la, o Pelourinho, o acarajé, os tambores, a culinária, o falar manso, a indumentária, a religiosidade, o teu ateísmo combatente enriquecido pelo candomblé.
Fôssemos justos, exposição, mostra, teu cinema, artigos pessoais, fotografias, depoimentos. Para não dizer incólume, terás uma homenagem na Bienal do Livro e redenção no teu centenário em 1912.
Mereces sim, Jorge, todas as homenagens, nosso escritor universal, contador de histórias, sobretudo do povo, coadjuvante, tantas vezes, alçado a protagonistas, não em uma, mas todas as histórias, não sem explicitar teu falar, com riqueza melódica.
Engraçado é que não sinto tua falta, porque perpetuaste tua existência, é como não tivesses partido. Ao sabor de minha estante, Gabriela, Dona Flor, Tieta, Terras do Sem Fim, tantos, que bom.
Se a cada povo coube a expressão de cada escrito, como a Rússia de Dostoiévsky, a Argentina de Borges, a América de Whitman, a nós coube Jorge Amado, brasileiro por excelência, em toda a sua plenitude, que por bem soube retratar a trajetória de seu povo," a luta do cacau fez-me um romancista."
Sei que é pouco Jorge, mas ao tempo pretendo mais- e por que não ?- compartilhar futuramente, pérolas de teus escritos, assim sinto-me reconfortado, em tua memória, toda a minha reverência.

sábado, 13 de agosto de 2011

De sonhos e despedidas

Não podia ser verdade, não era possível.
- Mas você disse que me amava. Nós fizemos planos. Eu contei pra todo mundo. Mais que issso : eu acreditei em você.
Uma conversa difícil. Como se fosse compreensível achar um culpado.
- As nossas músicas, os nossos momentos. Eu não compreendo.
- Eu não posso. Acho que eu me equivoquei. Estou meio sem tempo. Desculpa, talvez eu não seja a pessoa certa. Não sei. Estou meio confuso. É que é tudo muito novo pra mim. Talvez eu esteja precisando de um tempo só meu. Eu não queria te magoar, de verdade.
- Sei, durante dois meses você me proporciona um conto de fadas, e agora assim, de uma hora pra outra, você termina tudo? E ainda quer que eu esqueça o que a gente viveu?
- Está sendo difícil pra mim também.
- Ah, está sendo difícil pra você também? É você que está terminando comigo. É você que está jogando tudo fora. Mas tudo bem. Eu vou me recuperar. Mas deixa eu te falar uma coisa: da próxima vez que você não tiver certeza sobre o que está sentindo, fica calado tudo bem ?

Quando disseres " Eu te amo", seja sincero. Algumas pessoas acreditam.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Off-line

Minha amiga Márcia chegou lá em casa feliz da vida. Namorado novo, trazia um sorriso que não deixava dúvidas.
- Felicidade pouca é bobagem - afirmei.
- Não posso é negar, é verdade - ela continou - mas como você sabe, nada nesta vida vem por inteiro né?
- Lá vem você inventando problemas. Mal começou o namoro.
- Longe de mim. Mas qualquer um desconfiaria.
- Explica melhor.
- Simples. Ele não tem Facebook, Orkut, MSN, Twitter, email, nada. Dá pra acreditar nisso?
- Não é normal. Mas também não é nada do outro mundo. Provavelmente ele não liga para essas coisas.
- Pode ser mas eu fiquei encucada.
- E o que ele faz da vida.
- Nada.
- Como assim, ele não trabalha?
- Então, ele nada. Ele é salva-vidas.
- Engraçadinha.
- E o celular dele só vive desligado.
- Tu achas que ele é casado?
- A minha preocupação nem é essa.
- E qual é?
- Na verdade Rodrigo, o fato dele viver off-line me deixa sem defesa.
- Sem defesa?
- É que eu não posso vigiá-lo.