domingo, 12 de outubro de 2008

Saudades de Letícia,capítulo 1

Eu já nem lembrava mais dela. 15 anos são muito tempo. Encontrei-a sardentinha, a pele ainda mais alva, olhar distante. Na verdade foi ela quem me viu primeiro. Eu estava no chek-in da Tam indo assistir a uma palestra em São Paulo.
- Rodrigo, é você?
Custei a acreditar. Não era possível. Eu fui apaixonado pela Letícia. Paixão platônica, claro, assim como metade do colegial. Ela nunca deu bola para ninguém, não por esnobismo acho eu, mas porque era daquelas que ainda acreditavam em príncipe encantado. Ainda assim todos nos surpreendemos com o seu repentino casamento aos dezoito anos, largando sonhos, faculdade, nós. Sumiu e ninguém nunca mais soube dela.
- Foi o destino que me fez te encontrar- falou-me, eu sem entender nada. - Preciso tanto falar com você.
- Também fico feliz de te ver- ela me deu um abraço tão forte e então percebi que estava sendo sincera.
- Você está morando no Rio? - estava receoso de ser um tanto incoveniente.
- Estou, há algum tempo.
Trocamos telefones; eu realmente estava atrasado, quem dera pudesse cancelar aquela viagem, confesso que estava curioso. Só pude ver letícia duas semanas depois, ela desculpou-se dizendo que estava um pouco atarefada com alguns advogados. Marcou de encontrar-me em sua residência, ali na nossa senhora, a uma quadra da praia de copacabana.
Ao entrar em seu apartamento, fui recebido por uma empregada sorridente, o que me deixou um pouco mais a vontade, embora não pudesse deixar de me impressionar. Ela morava em um apartamento de um andar inteiro, extremamente bem decorado, não com quadros, mas fotos, porta- retratos, molduras, mais fotos, pinturas dela com um cara, sempre o mesmo cara. Mesmo sem nunca ter saído do Brazil, pude reconhecer algumas cidades: Big Bang, Torre Eifeel, Taj mahal, Alpes suícos... e estavam sempre sorrindo.
Quando entrei, ela estava na segunda sala, sentada num sofá de três lugares, próximo a uma porta entreberta onde podia-se perceber um escritório. Havia também um aparelho de som ao seu lado e pude enfim perceber que uma mesma música tocava insistentemente no rádio: reconheci o sucesso do nxzero.

" Quando perco a fé, fico sem controle, e me sinto mal, sem esperança e ao meu redor
a inveja vai, fazendo as pessoas se odiarem mais.
me sinto só, mas sei que não estou, pois levo você no pensamento
meu medo se vai, recupero a fé, e sinto que algum dia ainda vou te ver.
Cedo ou tarde.
Cedo ou tarde, a gente vai se encontrar, tenho certeza numa bem melhor
Sei que quando canto você pode me escutar"

Foi então que percebi que ela estava chorando.

Final do capítulo I.

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